Alice desistiu de Dodgson tão facilmente. Tonta, nem foi capaz de ouvi-lo, ou de questiona-lo sobre coisas que a atormentavam todas as noites. Teve medo. Medo do que as pessoas iam achar se ela o procurasse, depois de um escândalo que ela não entendia. Medo do que ele ia achar dela bater em sua porta mesmo quase que comprometida com o Príncipe Leopold, medo do que Léo, ou toda a realeza pensaria se soubessem sobre o envolvimento deles. Um envolvimento profundo, só deles, que Léo nunca imaginaria existir, uma conexão selada naquela tarde que ela havia sido a sua menina cigana. Como poderia Alice desistir de saber a verdade dessa maneira? Abdicar do direito de saber dos fatos, assim como eles aconteceram, assim como Dodgson sentira? E como pode ter sido tão estúpida ao ponto de deixar a verdade morrer com as pessoas que a sabiam? Como a curiosidade não bateu a sua porta durante todo esse tempo de maneira tão drástica para que ela largasse as boas maneiras e fosse correndo aos braços de Dodgson para escutar a verdade? A verdade que ela queria escutar quando criança?
Se não disse ainda, vou dizer e que fique claro. A minha promessa de não crescer não será em vão como a de Alice. Ela era uma criança muito especial, com ideias e pensamentos singulares, que segundo Dodgson a fazia se destacar em meio as demais. E ele a entendia como nenhuma outra pessoa seria capaz, tanto que ela fez com que esse pobre homem se apaixonasse e prometesse a ela que esperaria para que pudessem ficar juntos. Mas em vez disso, Alice virou uma jovem comum que fingia sorrisos afetados, assim como a irmã que ela tanto recriminava. Virou uma jovem cheia de medo e duvidas, mas sem coragem de se arriscar. Uma jovem que amava Léo por ser semelhante, mas que receava Dodgson por ele ser (especialmente) diferente!
Mas, nada disso parece fazer sentido dentro dos meus pensamentos aqui no meu mundo de coisas e questões completamente distintas. Ou será que faz? (:
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Um desabafo para Alice
Postado por Bianca Araujo às 23:07 0 comentários
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Menina dos Cachinhos
O fim da infância é trágico.
Mas, não o fim dela na faixa de idade, que hoje segundo especialistas giram em torno dos nove, mas o fim dela dentro da gente.
Seria tão bom me eternizar menina, com vontades sem pé nem cabeça, com ideias sem sentido, com as mais diversas observações sobre tudo e sobre todos, mas sobre um ângulo simples, singelo que só a infância me proporciona, e me permite.
Sem mencionar as regalias perdidas: as minhas pirraças não vão ser ouvidas, o meu choro será ignorado, minhas vontades terão que ser passageiras, ninguém mais vai dizer como eu estou linda sem segundas intenções, e um vestido rodado vai ficar ridículo em mim.
Mas essas são as coisas que menos me preocupam em relação a crescer. O que me aflige realmente é até quando eu vou conseguir manter dentro de mim a doçura daquela menina dos cachinhos, que guardava uma alma antiga?
A resposta só o tempo é capaz de me fornecer, e o tempo tem sido muito mais do que apenas meu companheiro de estrada, tem sido o alicerce da minha decisão infantil, porém decididamente madura de não só deixar com que a menina dos cachinhos faça parte de mim, como me permitir ser parte dela.
Por isso, eu peço encarecidamente que não se refira a mim como uma mulher, porque eu quero ser uma menina para sempre. Quero ter oitenta anos e exaltar as minhas rugas com os mesmos olhos infantis que conheceram o mundo no dia 18 de Janeiro de 1992. (;
Postado por Bianca Araujo às 19:55 0 comentários
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